Questão de Atitude

É bem verdade que existem diferenças. Mas o fato é que não podemos ficar reféns de questões menores. É inadmissível ficar discutindo sobre cotas em universidades, sem levar em consideração a educação de qualidade que nos falta, afrodescendentes ou não, desde a infância. Vivemos um sem-número de erros simplesmente por ignorar o fato de que não lutamos como deveríamos pela educação de nossas crianças.

Não há como negar o fato de que muitos dos que se dizem injustiçados, se quer estendem as mãos como deveriam para fazer algo por si mesmos e preferem esperar que alguma entidade filantrópica, alguma alma caridosa, algum político querendo se promover ou até mesmo algum programa de TV sensacionalista os descubram em meio a outros tantos como eles.

Eu não nego que realmente haja preconceito, racismo, agressões ou como queiram chamar. É notório isso. Mas também não acho que ele, o tal preconceito, seja o principal vilão dessa nossa cultura de que existem poucos negros se destacando em cargos elitistas.

A verdade é que a história está repleta de pessoas que se superaram e se superam. Pessoas que romperam barreiras e não ficaram simplesmente esperando algo acontecer. Pessoas que foram à luta, desbravaram, enfrentaram situações desagradáveis, opiniões adversas, julgamentos injustos, mas preferiram seguir em frente. Alcançaram seus objetivos e foram além. Seja uma costureira que lutou e montou uma confecção, o catador de papel que fundou a cooperativa do bairro, seja o Lázaro Ramos que se destacou no cinema e na TV, seja o Barack Obama que foi eleito presidente do país mais importante do mundo.

Sempre acreditei que a vida que levamos é criada por nós mesmos e não pelas circunstâncias. Em minha opinião, e não é somente uma opinião, é também uma atitude, a questão não é se o negro sofre preconceito ou não, e sim como enxergam isso. Posso dizer que já me senti discriminado por ser negro, por ser pobre, por estar fora dos padrões de beleza, mas a questão nunca foi essa. Não se pode ou deve ver desse jeito. Ninguém precisa de rótulos. A história é injusta, triste, mas está no passado. É preciso seguir em frente, buscar mostrar competência, atitude, criatividade, conquistar as realizações, por que todos nós podemos. É preciso começar por nós mesmos, fazermos realmente o possível para crescer, não porque somos negros, brancos, pardos, nordestinos, gordos, feios ou gays, mas sim porque somos pessoas. Lamentar nossas derrotas não ajuda a brigar por nossas conquistas.

Sempre que algum alienado disser que negros ou para ser politicamente correto, afrodescendentes, ainda estiverem abaixo dos padrões de salários e cargos de chefia, diremos que é apenas uma questão de tempo. Trabalharemos mais se for necessário, formaremos nossos filhos, formaremos a nós mesmos, buscaremos a informação e a competência necessária, a experiência que nos falta pra atingirmos tal objetivo. Não nos deixemos influenciar por pesquisas, pois elas não podem dizer o que somos. E sim, somos tão capazes quanto qualquer um. Não é uma questão de raça, credo, origem, orientação, condição financeira. È uma questão de querer buscar. É uma questão de atitude.

Adriano Bibop, Carangolense que atualmente reside em Campinas/SP, 34 anos, trabalha como Desenhista Projetista, escreve para o Blog CulturaLivre do Portal BopNet e também está publicando seu primeiro livro.

.

.

Ofertas

 

Sobre o Autor

has written 4498 stories on this site.

Webmaster do Portal Carangola. admin@portalcarangola.com

Escreva seu comentário

Gravatar são pequenas imagens que podem mostrar sua personalidade. Você porde pegar o seu gravatar grátis!

Seu nome e email serao checados,se não forem validos, seu comentário não será publicado

Seu email será CHECADO mas não será divulgado

Copyright © 2020 Portal Carangola . All rights reserved. Powered by Webmaster webmaster@portalcarangola.com