Olimpíada de Língua Portuguesa 2010

A Olimpíada de Língua Portuguesa teve em 2010 a participação de 141.332 professores e 59.803 escolas públicas de Educação Básica. Educadores e unidades de ensino representam as 27 unidades da Federação e 5488 dos 5565 municípios brasileiros. O Lugar onde vivo é o tema que orienta os trabalhos de alunos e professores. A competição é promovida pelo Ministério da Educação e pela Fundação Itaú Social e coordenada pelo Cenpec.

Texto escolhido entre 500 textos a nível estadual

na Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro

Era um vale montanhoso, grandioso, imponente, bonito, verde e principalmente frio em que morava com minha família. Nossa casa era de pau-a-pique, e havia apenas um único cômodo de tijolos. Meu despertador? Você não vai acreditar! Era o galo que rigorosamente despertava às quatro horas da manhã: – Co-co-ri-co-có… Já sabia que era hora de levantar, olhava pela janela e via o céu alaranjado como uma abóbora, e de longe o sol nascendo. Com muita destreza corria para ajudar minha mamãe nos afazeres domésticos. Preparávamos o café com os grãos que colhíamos no sítio, moídos na hora, no antigo moinho preso na parede da cozinha. Ah! E o coador era de flanela. O aroma de café ia rapidamente misturando com o da broa de milho assando no fogão a lenha e se espalhava pela casa toda. Papai e mamãe saíam para a lida, era chegado o tempo da colheita do café e o inverno também batia à porta. No meio da lavoura, o frio era impiedoso e cortante como uma navalha, o vento se encarregava de fazer o indescritível balé de folhas secas que rodopiavam feito bailarinas. Eles retiravam os grãos madurinhos das varetas com toda delicadeza, todo cuidado era pouco. Papai dizia que o café era nosso ouro.

A vida era difícil, porém tinha seu lado bom, brincava com meu irmão, se bem me lembro brincávamos de fazendinha e cozinha, como éramos pobres não tínhamos brinquedos, mas na nossa imaginação podíamos tudo, fazíamos bois de chuchu, boneca de espiga de milho, peteca de palha e penas de galinha e até fogões de pedaços de tijolos. Mal acabávamos de brincar, almoçávamos e íamos para a escola, que ficava a uma hora e meia de minha casa, e nesse ínterim, vivíamos uma aventura. Passávamos por um curral onde sempre pegávamos pedaços de cana, usada para tratar do gado, e íamos chupando pelo caminho. Atravessávamos um pasto muito grande, com muitas vacas bravas – na época não sabia, mas hoje sei que era por causa de seus instintos maternais – elas corriam tanto atrás de nós, que se o meu irmão caísse seria bem provável que eu o deixasse para trás. Recordo ainda da antiga “pinguela” – hoje é uma ponte – que em épocas de chuva, a água transbordava por cima e ela balançava de um lado para outro, era uma beleza ver aquilo, mas difícil passar por lá, não tinha outro lugar que pudéssemos passar, e também não podíamos chegar tarde porque a professora era muito brava. A hora da merenda era a melhor, ficávamos com muita fome, de tanto passar aperto ao longo da estrada. Era eu quem preparava nossa merenda, colocava arroz, feijão e lambaris fritos, que papai como bom pescador sempre trazia para casa.

O sol começava a se pôr anunciando que a noite se aproximava então eu ouvia:

– Neuza, entra! Vem tomar banho. Era a mamãe. Nosso banheiro era o cômodo de tijolos com telhado baixo, o chão de terra batida, minha mãe passava uma mistura de cocô de vaca e água, não fedia, todo o chão de nossa casa era banhado por esse extrato que depois de seco transformava-se num imenso tapete verde. Essa antiga técnica mamãe aprendera com vó Vitalina e acredite que ainda hoje é utilizada, tomávamos banho numa bacia grande de alumínio muito bem areada. Mamãe sempre me apressava. Todas as noites recebíamos os vizinhos mais próximos para ouvir novela num radinho de pilha, nosso único artigo de luxo e modernidade. Assim que terminava a novela nos despedíamos e nossos vizinhos desapareciam na escuridão. Rezávamos juntos, papai e mamãe nos abençoavam, apagávamos as lamparinas, era hora de dormir…

– Conta mais vó, conta!

Ela não respondeu. Então percebi que ela havia adormecido embalada pelas suas recordações presas no tempo.

Aluna: Sarha Dias Hottes – 8º ano do Ensino Fundamental.

Professora: Argélia Peixoto

Parabenizamos à aluna Sarha Dias Hottes e a professora Argélia, finalistas a nível nacional da OLP/ 2010, classificada entre as 125 melhores.

Rumo à ETAPA NACIONAL: 29 novembro de 2010 em Brasília!

Avante S R E – Carangola!

Parabéns à E. E. Interventor Júlio de Carvalho e também à SME de Espera Feliz pela seleção dos textos na Etapa Municipal!

Estendemos os cumprimentos a todos os colaboradores e demais participantes da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro!

S R E Carangola – DIRE

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