Jogos violentos, o que fazer?

jogoHá alguns dias atrás, sai com meu filho e fomos a uma lan house, onde durante algumas horas ficamos nos revezando, hora na internet, hora nos divertindo em algum jogo. Mas, o que prendeu realmente a atenção do meu filho, e confesso que a minha também, foi o jogo Grand Theft Auto, popularmente conhecido pela sigla GTA, no qual para cumprir sua missão você tem que roubar carros, agredir pessoas com socos, pontapé ou até mesmo matá-las utilizando as próprias mãos ou com auxilio de revolveres, metralhadoras ou até mesmo um taco de beisebol. No jogo, ainda podemos dirigir carros, motos, helicóptero e até mesmo lanchas, tudo isso proveniente de algum roubo que vem enredado por agressões ou assassinatos.

Durante algum tempo ficamos nos inebriando pelas cenas de ação protagonizada pelo personagem principal, que ao nosso comando deferia uma série de golpes na intenção de imobilizar ou matar o seu oponente, que poderia ser qualquer um, bastava apenas o nosso desejo; velhos, mulheres ou qualquer outro transeunte que distraidamente passasse por nós era alvo de nossa irá, de nossa violência.

Vendo meu filho, que tem nove anos de idade, jogando e vibrando com cada soco que dava, me auto-indaguei; crianças que interagem freqüentemente com jogos como este, pode ficar propensa a atos violentos? Diante desta indagação, iniciei uma verdadeira maratona na web e em livros especializados buscando aprofundar sobre este tema.

Nesta minha pesquisa, percebi que há uma verdadeira enciclopédia sobre o assunto, com autores que afirmam que jogos violentos podem influenciar as crianças ou os adolescentes a praticarem atos violentos, por outro lado há àqueles que dizem categoricamente o contrário.

O assunto é tão polêmico que há países em que jogos violentos são proibidos, medida esta que é considerada paranóica por alguns especialistas. Um jogo eletrônico particularmente violento, “Manhunt 2” (sua versão para o português é caça ao homem), produzido e distribuído pela empresa americana Take-Two Interactive, foi proibido na Irlanda, Grã-Bretanha e Itália, poucas semanas antes do lançamento oficial na Europa.

Nos últimos tempos, os juízes já estão proibindo jogos no Brasil. Na realidade tudo começou com o jogo Carmageddom, em 1996, cujo jogo tinha como objetivo passar por cima de todos, com seu carro diabólico, durante corridas com outros carros. A notícia de sua proibição repercutiu rapidamente e recebeu certa aprovação por parte da sociedade. Logo depois veio Duke Nukem, que ficou famoso com episódio do estudante Mateus da Costa Meira, que entrou atirando em uma sessão do filme Clube da Luta em São Paulo. O estudante, então com 29 anos, relatou em depoimento a polícia que jogava “Duke Nukem 3D”, que trazia como primeira fase trechos em um cinema. Mateus foi condenado a 120 anos de prisão e o jogo foi banido do território nacional. Depois os juízes foram para cima dos jogos, Mortal Kombat e Doom, e os dois sofreram ameaças de proibição, tendo como argumento o fato destes jogos ensinavam os jovens a “roubar e matar”.

No inicio de janeiro de 2008, começou a ser colocada em prática a decisão da 17ª Vara Federal de Minas Gerais proibindo a venda em território nacional de dois jogos: o Counter Striker e o Everquest. O argumento básico da ação pública foi de que esses jogos são extremamente violentos e influenciam seus usuários a praticar atos de violência na vida cotidiana (PROCON/GO 2008). Outro jogo que também está proibido em território nacional é o Bully que é uma recriação do ambiente escolar americano, sua proibição se deve mais ao histórico de sua empresa, a Rockstar, a mesma de GTA.

Recentemente, após um estudo envolvendo mais de 1,2 mil jovens a respeito da influência que o jogo eletrônico pode ter sobre crianças e adolescentes, pesquisadores da Harvard Medical School, Lawrence Kutner e Cheryl Olson, detalharam suas visões sobre a questão no livro ” Grand Thelft Childhood: The Suprising About Violent Video Games and What Parents Can Do” (A supreendente verdade sobre os games violentos e o que os pais podem fazer). Ktner afirmou que vídeo game não induz a violência, ao dizer em entrevista a agência de notícias Reuters: “[…] O que espero que as pessoas percebam é que não há informações que sustentem os temores simplistas de que vídeo games causam violência […]”. Tal declaração foi recebida com assombro por alguns membros da comunidade científica, que também baseado em dados provenientes de estudos afirmam o contrário.

Mas qual será o motivo que violência vende tanto e porque jogos violentos são tão atraentes ao público? Na realidade não podemos negar que grande parte das pessoas se interessam por violência, principalmente homens. Esse fenômeno acontece no cinema, esportes e jogos eletrônicos, e suas causas, segundo Santos (2008), são: a catarse e a adrenalina. A catarse é a liberação de idéias ou pensamentos que estavam reprimidos no inconsciente, já a adrenalina é um hormônio originado na medula supra-renal e de intensos efeitos estimulantes sobre o coração; tendo sua secreção aumentada em situação de perigo e violência e sua principal função é preparar o corpo para pensar e agir rapidamente, sua descarga no organismo tem efeito “viciante”, razão pela qual especialistas relacionam a liberação da adrenalina como um efeito de recompensa, fazendo com que a pessoa tenha vontade de repetir, para sentir as emoções provocadas pela liberação deste hormônio.

No caso dos jogos violentos, estes propiciam ao jogador uma sensação de catarse, fazendo com que ele descarregue emoções negativas durante a brincadeira que após a liberação da adrenalina e seus efeitos, propiciam aos jogadores uma sensação de leveza ao final do processo.

Particularmente considero que os jogos são na realidade uma fuga do mundo real, já que através deles temos a possibilidade de nos transformar em heróis ou filões dependendo apenas de nossa vontade, podemos ainda realizar nossas fantasias perigosas, sem os riscos que estaríamos sujeitos na vida real. No jogo caso ocorra alguma situação que fuja ao nosso controle, basta apenas reiniciar o jogo ou nos casos mais extremos desligar o computado ou o vídeo game e tudo está resolvido.

De ante disto ficamos indecisos quanto deixar ou não nossos filhos, ou às vezes até nós mesmos, a brincar com jogos desta natureza. Na indecisão, permita-me um conselho, segundo especialistas a pessoa que consegue se deixar influenciar por um jogo tem algum problema psicológico, ocasionado por alguma patologia ou em conseqüência da falta de atenção, seja em casa, escola, vizinhos, amigos ou pode ser uma soma de um pouco de cada coisa. O que podemos fazer é aumentar o nosso diálogo com nossos filhos e propiciar aos mesmos, carinho e atenção. Talvez esteja ai a solução para este problema.

Fontes:

Santos, João. Jogos violentos geram violência? Disponível em http://fiqueinteligente.com.br/jogos-violentos-geram-violencia.html. Data do acesso: 30 de março de 2009.

FiliPêra. OS Games e a Violência. Disponível em: http://www.nerdssomosnozes.com/2008/06/os-games-e-violncia.html. Data do acesso: 30 de março de 2009.

GTA. GTA com certeza o melhor jogo do ano. Disponível em: http://leitedevaca.com/98-gta-iv-com-certeza-o-melhor-jogo-do-ano.html. Data do acesso: 30 de março de 2.009.

GTA. GTA. Disponível em: http://leitedevaca.com/155-idiota-tailandes-culpa-gta-iv.html.155 – Idiota tailandês culpa GTA IV. Data do acesso 30 de março de 2009.

Adrenalina. Adrenalina. Disponível em: www.unimedcampinas.com.br / portal/sPTMostraNoticiasTexto ?pIdSessao=&pIdComunica=14759.Data. Data do acesso: 13 de abril de 2009.

A Proibição dos jogos eletrônicos no Brasil. O caso do counter-striker. Disponível em: http://cibersociedade.blogspot.com/2008/02/proibio-dos-jogos-eletrnicos-no-brasil.html. Data do Acesso: 13 de abril de 2009.

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