Dois pesos e duas medidas.

Na semana em que o apresentador do CQC, Rafinha Bastos, foi afastado do programa por ter feito uma piada (meio agressiva, concordo) com a cantora Wanessa Camargo, uma dúvida paira no ar. Rafinha teria sido punido por ter feito uma piada agressiva ou pelo fato da piada ter sido sobre a cantora que é esposa do sócio do Ronaldo Fenômeno e filha de Zezé di Camargo?

O fato é que sempre houve e sempre vai haver este tipo de piada na TV. O que me parece é que como a pessoa em questão tem alguma influência sobre a rede e não gostou, a coisa tomou uma proporção maior. Junta a isso também, a mídia que sensacionalista que adora fazer tempestade em copo d’água.

Há uma onda de moralismo varrendo o país, e é mais nociva que um tsunami, pois causa estragos na cidadania. Duvido que a própria Wanessa tenha se incomodado com a piada, que apenas dizia que, grávida, ela estava sexy. Quem se incomodou foram seus “defensores” de plantão que, em síntese, são também os opressores de plantão e se acham no direito de cobrar que as mulheres sejam “decentes”.

Acho que neste caso, houve apenas uma má colocação de palavras, já que o programa estava sendo ao vivo e foi uma resposta de bate pronto. Mas o que acontece na “vida real” na maioria das vezes é muito mais grave e ninguém diz nada. Todo mundo já se sentiu ofendido alguma vez, ao ouvir uma piadinha sobre negros, loiras, gordos, pobres, nordestinos, judeus e por aí vai. Qualquer um que foge ao estereótipo da “supremacia branca, rica, certinha e bonitinha” já passou por isso. Eu mesmo passei por isso inúmeras vezes. Mas vale salientar que o que importa mesmo é como recebemos tais comentários. Na verdade, é uma hipocrisia sem fim. Negros sempre se chamaram de negros e a mesma coisa acontece com os outros estereótipos. Acontece com gays e lésbicas, ou melhor, com homossexuais (já que temos que usar a denominação correta). Entre si, os apelidos variam de tal forma e com uma criatividade tão salutar que chega a ser cômica.  Mas, basta um “dito heterossexual” usar tal denominação em algum lugar público e pronto. Isso se torna a mais revoltante forma de preconceito. Hoje não posso mais zoar nem sequer usar a camisa do meu time sem que isso seja considerado provocação. Jogadores de futebol são obrigados à dar declarações automáticas em suas entrevistas, porque qualquer menor comentário pode levar uma torcida inteira de idiotas a espancarem-se por nada.

Veja bem, não estou aqui incentivando as pessoas usarem tais denominações preconceituosas, porque também entendo que existem imbecis a tal ponto. Acredito e incentivo que toda forma de denominação usada em tons pejorativos, deve sim ser combatida e denunciada. Mas também penso que, é que o politicamente correto “demais” também é chato, idiota e claro, uma forma lamentável de censura. Até onde iremos com isso?


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