Crise do café domina diálogos econômicos no país.

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Reuniões, debates e encontros agitaram a agenda política do setor cafeeiro brasileiro nesta semana. Em plena crise, marcada por preços abaixo do custo de produção, o setor busca medidas emergenciais.

O diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG) e presidente das Comissões de Café da entidade e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, lembra que o quadro tem se agravado ao longo do ano pela lentidão na implementação de medidas de sustentação para o setor. “Desde março, pedimos por um programa de opções, que só saiu em setembro, para ser exercido em março do próximo ano. A consequência, juntamente aos preços baixos, é o endividamento e desespero total dos produtores”. Maior produtor nacional, Minas tomou a frente nos diálogos junto ao Governo Federal. O estado tem se manifestado fortemente, representado por uma comitiva de produtores, cooperativas e entidades, e pelo próprio governador.

Enquanto, em Belo Horizonte, Antônio Anastasia passava à presidenta Dilma Rousseff o quadro da crise e seu impacto na economia do estado, o mesmo grupo de lideranças do setor que levou as reivindicações ao governador mineiro na última semana era recebido em Brasília pelo secretário-executivo do Ministério da Agricultura (MAPA), Gerardo Fontelles. Na pauta, as mesmas solicitações: interrupção imediata de todos os vencimentos das dívidas do café por um prazo de 90 dias e o lançamento de um programa para geração de renda para o setor em curtíssimo prazo.

 

Ainda na tarde de ontem, o pedido por medidas governamentais para o setor dominou também intenso debate durante reunião do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) do MAPA. No encontro, marcado para discutir o orçamento do Funcafé para 2014, a crise predominou.  “Quando vivenciamos um momento tão grave quanto este, o futuro parece muito longe. Enquanto não resolvermos esta situação, que é urgente e insuportável, fica difícil planejar adiante”, argumenta Breno Mesquita.

Ele destacou que a CNA e Federações dos estados produtores têm atuado com afinco na busca por medidas emergenciais, sem tirar o olho do futuro. “Este prazo de 90 dias que pedimos, por exemplo, destina-se exatamente à elaboração de um estudo bastante completo do setor, subsidiando a proposição de soluções concretas e geração de renda para a atividade”.

 | Café para a China

Breno Mesquita lembra ainda que outra frente de trabalho da entidade tem sido a busca por abertura de mercado e ampliação do consumo: “Nesta linha, uma das propostas apresentadas pela presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, foi a criação de uma rede brasileira que vendesse o café nacional na China”. O assunto foi tratado em reunião com o setor produtivo também na tarde de ontem, em Brasília.

No início do próximo mês, uma comitiva da Confederação estará em Pequim e Xangai em missão empresarial, buscando estratégias de promoção comercial e ampliação das exportações do produto para a China.

Hoje, o Brasil exporta café verde e café solúvel para aquele país e o consumo do produto vem crescendo na Ásia, o que reforça a necessidade de melhorar a competitividade do setor produtivo brasileiro. Enquanto a média mundial de consumo de café é de 250 xícaras/ano, os chineses bebem apenas três xícaras anualmente. “Ou somos competitivos ou não abriremos mercado”, alertou a senadora Kátia Abreu.

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