Caminhada Turística em Conceição, Carangola, MG- Circuito Pedra do Zé Berrote

Dentro do Projeto de Turismo Rural Solidário de Conceição aconteceu no domingo dia 20 de fevereiro Caminhada Turística Circuito Pedra do Zé Berrote.Todos descansados com a hora extra dormida devido à mudança do horário de verão se reuniram na Ponte dos Cireli para uma apresentação geral, receber os cajados de bambuí que o guia, o Tio Zé Berrote havia carinhosamente preparado, agradecer e pedir proteção ao Criador e começar a marcha. Um dos caminhantes merece ser mencionado sem de forma alguma desmerecer os outros: o corajoso e animado Danilo que saiu às 5.30 da manhã de Natividade para participar do evento. Valeu!

Passamos por uma árvore cedro bem grande que nos proporcionou a vista de uma casa de marimbondo tatu, interessante como uma se juntou à outra que mais parecia um jacaré!! Mais à frente pudemos ver um lavador de café comunitário que facilita a vida dura dos pequenos agricultores da região. Um angelim crescido quebrando uma pedra ao meio confirmou o nome “angelim pedra”.

Depois de uns trinta minutos chegamos à casa de Antonio, conhecido como Tonico do Caetano que muito solicitamente abriu as portas de uma das casas mais antigas de  Conceição. Calcula-se que esta sede da fazenda do Seu Caetano Cireli, avô de Tonico, tenha uns 150 anos. Tonico mesmo mora numa outra casa por perto. As mangueiras do pomar também são centenárias, segundo Seu Tonico. A casa antiga está há mais de 10 anos desabitada, Seu Tonico abre as janelas para ventilar de vez em quando para ver se o estrago é menor. A casa tem três quartos pequenos e duas salas maiores que eram conhecidas como “salas de baile”, palco de muitas festas na região naqueles tempos. O telhado da cozinha está quase desabando, o que seria lamentável… A mesa antiga e em cima dela a tábua de lavar roupa fez-nos viajar no tempo e imaginar o pesado dia-a-dia da dona da casa na época… Na garagem muitos arreios para contar histórias, uma cangalha antiquíssima para o transporte de café também está lá provando como o trabalho era na época. Seu Tonico conta que faz o possível para preservar, mas sem recursos é difícil… Seria talvez o caso de acionarmos as autoridades municipais, estaduais e/ou federais antes que seja tarde demais…

Dez minutos mais acima chegamos à casa de Zila e Leandro para um café da manhã que nos surpreendeu diante de tanta fartura e variedade: café, leite, sucos, banana, mamão, abacaxi, queijo mineiro, mandioca frita e cozida, bolos de banana (inesquecível!!) e de abacaxi, além é claro da abençoada água de mina que saciou a sede logo que chegamos. Obrigada, Zila!!

Saímos da estradinha e entramos pelo cafezal do Sr. Zico para poder ter acesso à parte detrás da Pedra do Zé Berrote. Um trecho um pouco mais difícil, mas os cajados e as mãos amigas ajudaram os menos preparados a subir. As lajes de pedra ofereciam paradas belíssimas com as quaresminhas e as quaresmas em flor criando um visual lilás maravilhoso. As folhas da quaresminha são muito agradáveis de manusear, dizem que são anti-stress!! As bromélias também estavam de encher os olhos mostrando tanta força vivendo em cima da pedra!

Lá de cima avistamos a Mata do Pote, a Colina, a cadeia de montanhas do Pico da Bandeira, o Retiro, a Meia-Lua e o Cruzeiro entre outros, quase todos conhecidos circuitos nossos que aguçaram a vontade de voltar a caminhar por eles. Interessante caminhar em épocas diferentes nestes circuitos, pois podemos observar as diferenças na vegetação. Vimos flores diferentes que nos encantaram. Em agosto e setembro nos deleitamos com os ipês amarelos em flor, agora os fedegosos davam aquele toque amarelo que irradiava. Entrando na mata pela trilha feita pelo Tio Zé pudemos nos enebriar com aquele cheiro de mato e esquecer que eram 11 horas da manhã e que o sol existia. Aquela penumbra da mata proporcionava um bem-estar impossível de expor em palavras… Tio Zé junto com seu compadre Jair, também guia, fizeram um corrimão de madeira e cipó para que um pequeno trecho de dois metros mais ou menos ficasse mais seguro para os caminhantes, pois uma pedra tinha um pouco de lodo. Gente, estar ali aguardando naquele ambiente tão bonito e agradável foi bom demais!! Acho que ficaria ali horas olhando os pés de palmito cujos movimentos lentos nos abanavam, com que alegria vi as mudas de novos palmitos que a própria natureza se encarregou de espalhar por lá revigorando assim a esperança de que apesar dos predadores ilegais que invadem esta mata para roubar seus tesouros, a natureza mais viva do que nunca tenta reagir… Falando ainda em predadores de duas pernas, foi com tristeza que vimos armadilhas feitas para capturar passarinhos como o “trinca-ferro”, dinheiro garantido para quem não trabalha justamente. Tio Zé desarmou umas três armadilhas que pudemos ver. Segundo ele, voltará outro dia com os filhos para entrar mais para a mata a dentro e ver se descobre mais irregularidades. Ainda tristes com estas imagens na cabeça, Tio Zé nos desviou uns 100 metros da trilha para nos mostrar mais um tesouro desta mata: uma árvore denominada  provavelmente “secopemba” que com uma largura que precisou de oito adultos para rodeá-la nos fez imaginar que seja secular. Não há dados oficiais a respeito, mas a largura e a altura dela falam por si!! Outra imagem inesquecível que animou nossos espíritos!!

Saimos da mata sendo recebidos por um jequitibá rosa que logo nos convidou a sentar em baixo em sua sombra, catar e brincar com as cascas de seus frutos que lembram charuto ou quibe. A seguir fomos até à beirada onde já houve saltos de para-pente. Uma visão estonteante!! Passamos por árvores de braúna e jacaré, algumas secas devido a relâmpagos, segundo Tio Zé. Passamos por um eucaliptal cujo cheiro renovou nossas forças  para continuar a reta final que nos levaria até o já cobiçado almoço. Passamos por uma árvore denominada “açoita cavalo” que segundo Tio Zé sua casca produz um excelente condicionador ou creme para tratar de cabelos secos!! Mais à frente uma linda “Sapucainha” toda frondosa e cheinha de frutos prontos para produzir o conhecido óleo e sabonete para combater a sarna. Mais uns metros e chegamos à casa de Ester e Osmar que nos esperavam para o almoço. Que bênção, Senhor!! Uma cesta com jambos vermelhos, carambolas e mangas nos encantou os olhos e o paladar. Alguns caminhantes logo atacaram! No fogão à lenha na cozinha éramos aguardados por: frango com quiabo, angu, arroz, feijão, carne frita e um delicioso creme de milho verde. Suco de acerola fesquinho entre outros, para sobremesa doces de abóbora e banana que deixaram os caminhantes muito satisfeitos!

Mais uma vez uma caminhada ocorreu sem contratempos, fomos recebidos carinhosamente em todos os lugares que passamos e fica a vontade de que o tempo passe rapidinho até a próxima: Dia 20 de março, já podemos agendar, assim como todo terceiro domingo do mês que se encontra também no site www.andabrasil.com.br!! Aproveito para dizer que o Núcleo de Turismo Rural Solidário de Conceição também organiza caminhadas fora do calendário oficial, além de oferecer hospedagem nas casas dos agricultores! É só nos contactar!    (Julenia Maria Lopes da Silva, email: julenialopes@yahoo.com (sem BR), tel 32 99 29 77 95)

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